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A natureza dos Sutras e a natureza da Yoga

Yoga sutras = consenso do sistema filosófico, após debate de séculos entre os mestres -Capitulo I


Por Helena Bhagavati




Índice - Estrutura das sessões - sutras: 1-4. o que é yoga; 5-11. cinco estados compulsivos da mente; 12-16. meios de controle; 17-22. estados sutis de meditação; 23-29. definição de Deus; 30-39. acalmando a mente; 40-50. estados profundos de meditação; 51. considerações finais


Os dois primeiros sutras revelam a natureza dos Sutras e a natureza da Yoga 1.1 Atha YogAnushAsanam - agora autodisciplina da Yoga Atha = Agora; Yoganushasana = Yoga + anu (natureza) + shasanam (disciplinar/ controlar). Patañjali sublinha nos Yoga sutras que Yoga somente se realiza no agora, no momento presente, ao ganhar controle da sua própria natureza, conectando-se ao self através da prática disciplinada e consciente.


1.2 yogachittavrittinirodha - yoga é o controle das ações cíclicas compulsivas de um dos aspectos da mente chamado Chitta. Chitta Vritta Nirodha”, a cessação dos pensamentos e emoções no rodamoinho da consciência para adquirir transcendência ou experienciar seu próprio self divino.


Os diferentes estados da consciência são:


Chitta - mais elevado nível de consciência;

Buddhi - racional e discriminação;

Ahamkaram - ego centrado;

Manas - percepção sensorial de dor e prazer


Yoga é a prática que eleva consciência de Manas para Chitta

Citta diferencia nossa existência da de um animal, além de ser a origem e sustentáculo de nossa vida mental consciente, é também descrito como um observador silencioso das ocorrências do mundo.


Vritti é movimento circular de expansão ou avanço, como uma espiral.

1.3. Tada drashturh svarUpeavashTAnam - é então que a pessoa se estabelece no verdadeiro sentido da natureza transcendental. Tada= agora então, não antes (mas agora que as ondas da mente foram silenciadas); Drashtuh = o observador, ou atma; Svarupe = a forma essência, a forma essencial, a realidade não mais identificada com o ser físico ou psíquico, a natureza transcendental; Avasthanam = se estabelece, se expressa em todas atividades e pensamentos.


1.4. De outra forma a pessoa se auto identifica com as ações cíclicas da mente


1.5. Existem cinco tipos de ações cíclicas, alguns complexos e outros simples


1.6. Estes cinco são: julgamento, erro de julgamento, imaginação, sono e lembrança


1.7. Julgamento é através de inferência da experiência direta e adquirida


1.8. Erro de julgamento é conhecimento falso e ilusório enraizado no engano de identificar a verdade


1.9. Imaginação é o resultado de saber algo superficialmente sem ver o quadro completo


1.10. Dormir é uma atividade cíclica de repouso que se apoia no estado do não-ser


1.11. Lembrança é a manutenção de experiências antigas sem as deixar passar


1.12. Estes são controlados pela prática e pela desidentificação


1.13. Prática é uma tentativa de estar continuamente em tal estado de controle


1.14. É aplicação da ação fortalecida e prolongada, ininterrupta e bem-feita

1.15. Desidentificação é controle sobre a sede de objetos de sentido que se percebeu ou de que se escutou


1.16. Estado de além, nascido do conhecimento real do self, quando se está além da sede das gunas, qualidades primordiais.


1.17. SamprajnaAta samadhi = mente equânime que ainda discerne é um estado que é consequência de vitarka =raciocínio espiritual, vichara = pensamento profundo, ananda = bem aventurança, e asmita = conhecendo o senso de “Eu”


1.18 O outro estado asamprajnAta-samAdhi (= mente equânime além do discernimento, consequência da prática contínua de dar repouso às atividades mentais, onde somente seus samskaras (= tendências latentes) permanecem


1.19. Para aqueles que são videha (=sem corpo) e prakritilaya (=imerso em sua própria natureza, seu próprio senso de self), este estado é causado por somente bhava (=simplesmente ser)


1.20. E para todos outros, este estado é causado como consequência de shraddha (=foco fixo), virya (imensa energia), smriti (=lembrança constante), samadhi (=equanimidade), emprajna (=pura percepção)


1.21 É facilmente obtenível por aqueles que o abordam com ânsia de resolver


1.22. Este abordagem resoluta é de três tipos: mrdu (=leve), madhya (=média), e adhimAtra (=intenso)


1.23. E pode ser obtido através de praNidhAna (=confiando/repousando integralmente em Iswara), iswarapranidhana


1.24. Iswara é também distinguido senso de self, além, intocado pelos kleshas (=aflições), karma (=ações), vipaka (=resultados), e ashaya (=intenções)


1.25. Neste Iswara está contido a semente de todo conhecimento


1.26 Este Iswara é o guru (=iluminador) de todos que vieram antes, devido à não finita natureza do tempo


1.27. O descritor de Iswara é praNava = o primeiro som, som primordial, o pranama OM


1.28. Aquele que deve ser cantado repetidamente, e sua essência deve ser contemplada


1.29. De aí surge o conhecimento da consciência individual e a ausência de antarAya (=obstáculos)


1.30. Nove tipos de distrações surgem como obstáculos naturalmente encontrados no caminho, e são: doença física, procrastinação, hesitação, negligência, preguiça física ou mental, falha em desapego aos objetos mundanos, certezas falhas, inabilidade de ter firmeza na prática, e não ser fixo ao nível de prática adquirido

vyadhi styana samshaya pramada alasya avirati bhranti-darshana alabdha bhumikatva anavasthitatva chitta vikshepa te antarayah. vyadhi = doença; styana = preguiça mental, ineficiência, procrastinação; samshaya = indecisão, dúvida; pramada = descuido, negligência; alasya = langor, preguiça; avirati = sensualidade, querer, apegar,

não-abstenção, desejar; bhranti-darshana = falsas vistas ou percepções, confusão de filosofias (bhranti = falsas; darshana = vistas, percepções); alabdha-bhumikatva = falha de obter estágios da prática (alabdha = não obter; bhumikatva = estágio, chão firme); anavasthitatva = instabilidade, inabilidade de manter; chitta-vikshepa = distrações da mente (chitta = campo mental; vikshepa = distrações, diversões); te = eles são; antarayah = obstáculos, impedimentos

1.31 Quando a mente está espalhada isto conduz a sofrimento, a mente se torna depressiva, se tem tremores físicos e respiração trabalhosa

Duḥkha-daurmanasya-aṅgamejayatva-śvāsapraśvāsāḥ vikṣepa sahabhuvaḥ. Duḥkha = dor (mental ou física); daurmanasya = tristeza, desespero, frustração, depressão, angústia; aṅgamejayatva= tremor, tremor corpóreo (anga = membros ou

corpo); svāsapraśvāsāḥ= inalações e exalações (implicando em irregularidade); vikṣepa: distrações; sahabhuvaḥ= sintomas que acompanham. Dor, depressão, tremores corpóreos, respiração irregular são sintomas que acompanham a distração mental. Estes quatro obstáculos são mais sutis e surgem como consequência dos nove que são apresentados no sutra anterior.

1.32 A única forma de sobrepujar isto é através da prática focada em alcançar a verdade única (Observando os sintomas anteriores, se deve voltar à prática com determinação)


1.33. A mente fica limpa e prazeirosa, sem se agitar mais através dos sentimentos de amizade, compaixão, alegria, neutralidade quanto aos objetos de prazer, equanimidade com virtude e vício, prazer e dor


1.34 Ou através do controle da inspiração e expiração do prana, do hálito da vida


1.35. Ou os estados da mente ficam firmes pelas sensações causadas por sua própria natureza intrínseca


1.36. Ou por um estado de mente brilhante, livre de dores

1.37. Ou por manter a mente livre de apegos aos objetos dos sentidos

1.38. Ou por buscar apoio no conhecimento do sonho e de estados de sono


1.39 Ou através da meditação em qualquer objeto de sua própria escolha


1.40. Mesmo o menor e o mais enorme aspecto da existência estão ao alcance de tal pessoa


1.41. Aquele para quem as atividades cíclicas compulsivas estão dominadas e a mente está clara como um cristal obtém a capacidade de estar estabelecido como um com todas as atividades de ser o consumidor, o ato de consumir e aquilo que é consumido.

kṣīṇa-vr̥tter-abhijātasy-eva maṇer-grahītr̥-grahaṇa-grāhyeṣu tatstha-tadañjanatā samāpattiḥ. kṣīṇa = diminuído, enfraquecido; vṛtteḥ-vr̥ttiḥ = flutuação, modificação; abhijāta = transparente, precioso; iva = semelhante, de forma igual; maṇi-maṇeḥ = joia, pedra preciosa; grahītr̥ = conhecedor; grahaṇa = ato de, conhecimento; grahya, grāhyeṣu) = conhecido; tat stha = permanência em algo, fixação da mente no objeto; tadañjanatā) = identificação da mente com o objeto; samāpattiḥ = identificação completa, fusão ou coincidência. Quando as flutuações diminuem, a mente, ao fixar um objeto, se comporta como uma joia transparente que assume a forma e as cores dos objetos. Assim o conhecedor, o conhecimento e o objeto do conhecimento formam um estado de total identificação, chamado de samapatti. No sabija-samadhi ou concentração em um objeto relacionado ao conhecedor, este conhecedor não é o princípio purusa, mas é o eu empírico (buddhi) que é identificado com o Self. Enquanto a mente continuar a ser afetada por suas modificações, existe, ainda, o vidente impuro ou empírico. "Eu sou o conhecedor do conhecimento" - esse sentimento é seu verdadeiro caráter. Quando a cognição cessa completamente, o Conhecedor que permanece em si mesmo é Purusa, ou o verdadeiro Vidente. Uma mente fixada em elementos sutis e envolvida neles é colorida pela natureza de tais elementos sutis, enquanto uma mente absorvida em elementos grosseiros é colorida por sua natureza grosseira. Da mesma forma, a mente ocupada com uma infinita variedade de objetos externos fica envolvida em tal variedade e se torna o seu refletor. O mesmo vale para os instrumentos de recepção, os órgãos sensoriais. Quando a mente se concentra nos instrumentos de recepção, ela fica ocupada e tingida por eles. Quando a mente pensa exclusivamente no conhecedor, ela fica absorvida nele e se torna tingida com a natureza do conhecedor (grahita). Da mesma forma, quando a mente está ocupada com o pensamento de uma alma liberada, a mente exibe a natureza de tal alma. Esse processo de identificação, a joia transparente que assume a forma do objeto sobre o qual repousa, o 'suporte' da mente e sua identificação com o receptor, e o objeto recebido, grahita (self empírico), os sentidos, e os elementos, é chamado samapatti ou absorção.


1.42. Há a capacidade de savirtaka-samadhi, que une os três fatores de shabda = o som, artha = a essência, jnana = conhecimento.

tatra śabdārtha-jñāna-vikalpaiḥ saṁkīrṇā-savitarkā samāpattiḥ. tatra = naquilo segundo algo; śabda = palavra, significado; artha = objeto, intenção; jñāna = conhecimento; vikalpaiḥ = imaginação, construção mental; saṃkīrṇā = mesclado, intercalado; savitarkā = acompanhado por reflexão; samāpattiḥ = identificação completa. A absorção, em que há a mistura da palavra, do seu significado (ou seja, o objeto) e seu conhecimento, é conhecido como savitarka samapatti. Absorção meditativa e conhecimento são inseparáveis. É por isso que o conhecimento adquirido em um determinado estado de concentração é chamado savitarkã samãpatti. tarka = pensamento expresso por palavras. vitarka é um tipo particular de tarka. Quando há vitarka, o conhecimento adquirido em samãdhi, é chamado savitarka-samãdhi. Assim, nosso pensamento comum é sobre a palavra, o objeto e a ideia - um todo misturado. Uma vez que neste processo está presente um erro inevitável na forma vikalpa, que é uma cognição imperfeita e, portanto, não é a percepção superior e verdadeira do yoga. É através deste processo que, inicialmente, o conhecimento do yogin é adquirido, através do savitarkã samãpatti.


1.43. Quando mesmo o que está impresso na memória é limpo sente-se como se sua própria forma está ausente, tal estado onde somente artha (= a essência) brilha, isto é chamado nirvitaka-samadhi.

smr̥ti-pariśuddhau svarūpa-śūnyeva-arthamātra-nirbhāsā nirvitarkā). smr̥ti = memória profunda; pariśuddhau = depuração, completamente purificada; svarūpa = própria natureza, essência; śūnyeva = como se fosse vazio; arthamātra = único objeto; nirbhāsā = brilhando; nirvitarkā =forma de samādhi com ausência de reflexão. Quando a memória está bem purificada, o conhecimento do objeto de concentração brilha sozinho, e a mente apresenta-se sem consciência reflexiva. Isto é nirvitarka samādhi, ou samādhi com ausência de reflexão. A verdadeira natureza do objeto contemplado é então revelada e esse estado é chamado nirvitarkã samãpatti ou absorção, livre de pensamento verbal. É a percepção mais verdadeira e é a raiz da inferência e do testemunho da qual derivam. Essa percepção não surge do testemunho ou da inferência. Geralmente, quando um nome é mencionado, o objeto denotado por ele é lembrado e, com a lembrança do objeto, um nome (genérico ou individual) também é lembrado, pois o nome e o objeto indicado por ele são considerados inseparáveis. Entretanto o nome e o objeto são duas entidades diferentes. É através do uso convencional e da impressão latente que a mistura ocorre na memória, e o conhecimento que é derivado da inferência, testemunho e percepção direta ordinária e que é misturado com palavras, não é puro. Mas o conhecimento nirvitarka, conhecimento adquirido sem a ajuda de palavras e assumindo a forma do próprio objeto é de fato percepção verdadeira.


1.44. É por estes dois samadhis que os conceitos sutis de savidra (=consideração) e nirvichara (=ausência de pensamentos) são descritos.

etayaiva savicārā nirvicārā ca sūkṣma-viṣaya vyākhyātā. etaya = por isto; eva = assim também; savicārā = com reflexão; nirvicārā = sem reflexão; ca = e; sūkṣma = sutil; viṣaya = objeto; vyākhyātā = são descritos. Da mesma forma, são explicados o samādhi savicārā (reflexivo) e o nirvicārā (não-reflexivo) que são praticados sobre objetos sutis. Destes, a absorção que ocorre na forma grosseira dos elementos sutis condicionados

pelo espaço, tempo e causa é chamada savicārā ou reflexiva. Nele, o objeto de contemplação é reconhecido como uma unidade única de um elemento sutil com características manifestadas e seu conhecimento é adquirido no estado de concentração. Quando, no entanto, o samapatti ou a imersão em elementos sutis não é afetado por qualquer mutação que possa ocorrer neles no tempo, ou seja, passado, presente e futuro, e se refere ao objeto apenas quando ele abrange todas as propriedades (possíveis) do objeto, e todas as suas posições espaciais (isto é, não são condicionadas pelo espaço), esse tipo de imersão envolvente é chamado nirvicārā ou supra-refletivo. Esse tipo de reflexão verbal colore o conhecimento adquirido em savicārā ou concentração reflexiva. E quando o conhecimento derivado dele está livre da consciência reflexiva e é somente do objeto da imersão, é o nirvicārā. Dos samapattis, aqueles relacionados a objetos grosseiros são savitarka ou nirvitarka e aqueles relacionados a objetos sutis são savicārā ou nirvicārā.


1.45. Estes estados sutis somente permanecem à medida que há a percepção da forma, e cessa de existir além disto.

sūkṣma-viṣayatvam-ca-aliṅga- paryavasānam. sūkṣma = sutil; viṣayatvam = objeto; ca = e; aliṅga = não manifestado, indiferenciado; paryavasānam = terminam. O carácter de sutileza dos objetos culminam em alinga ou o não manifestado.


1.46. São estes dois estados de ser que são chamados sabja samadhi, estados de equanimidade causal. tā eva sabījaḥ samādhiḥ. tā = estes; eva = somente, certamente; sabījaḥ = com semente; samādhiḥ = absorção, concentração plena. Todos esses (savitarkā, nirvitarkā, savicārā e nirvicārā) são sabija samādhis (com semente). Dois deles, savitarka e nirvitarka, se relacionam com objetos grosseiros, enquanto os outros dois, savicārā e nirvichara, se relacionam com coisas sutis.


1.47. Através de competência e talento no estado de nirvichara samadhi (estado não reflexivo, ausência de pensamentos), neste estado de meditação se entra nos reinos de adhy-atma = espiritualidade.

nirvicāra-vaiśāradye-‘dhyātma-prasādah. nirvicāra = não-reflexivo; vaiśāradye = clareza intelectual, lucidez; adhyātma = Ser interior, Self; prasādaḥ = pacificação, estabilização. Ao obter competência em nirvichara (samādhi), a clareza intelectual é atingida. O Mahabharata diz: “Como um homem no topo da colina vê o homem nas planícies, assim alguém que subiu ao palácio do conhecimento e se libertou da dor vê outros que estão sofrendo. Os sábios desenvolveram seu conhecimento dessa maneira e o comunicaram a outros na forma de srutis (escrituras).


1.48. Neste reino a percepção que se tem é preenchida com a realidade verdadeira da existência.

ṛtaṃbharā tatra prajñā. ṛtaṃbharā = portador da verdade; tatra = naquele; prajñā = conhecimento transcendente. O conhecimento obtido, é chamado rtambhara = literalmente cheio de verdade pura). Conquista-se através do estudo das escrituras religiosas, por inferência e pelo apego à prática da meditação, desenvolvendo uma percepção intensa nestes três caminhos, yoga perfeito.


1.49 Este conhecimento da realidade é único e diferente daquele que usualmente é percebido através dos sentidos e da lógica, devido à sua natureza de ser omni abrangente.

śruta-anumāna-prajñā-abhyām-anya-viṣayā viśeṣa-arthatvāt. śruta = ouvido, tradição oral; anumāna = inferência, dedução; prajñā = conhecimento transcendente; abhyām = através; anya = outro, diferente; viṣayā = objeto; viśeṣa = característica, particular; artha tvāt = propósito, finalidade. Ṛtaṃbharā prajñā é diferente do (conhecimento derivado) do testemunho ou da inferência, porque estes estão relacionados com as características particulares dos objetos. Uma coisa que é sutil não pode ser conhecida pela observação comum. O conhecimento de detalhes relativos aos elementos mais sutis ou ao receptor como purusa é obtido pela iluminação adquirida através do samādhi. Portanto, esse conhecimento particular é diferente do conhecimento (geral) derivado da comunicação verbal ou inferência. Vikāra = mudança, mudança de forma, mudança de mente, doença. Dualisticamente todas as coisas que existem são diferenciações, vikāras (transformações) de sat, o ser primordial, que é o substrato universal; na premissa de que o efeito existe na causa, e a causa original é Prakṛti composta de três gunas que são tendências e modos de operação. Prakrti está intimamente associado ao conceito de Maya nas escrituras védicas. O mundo é visto em constante evolução porque vikāra

(modificação) é sua svabhāva (natureza); a origem e a dissolução são dois vikāras, e a eficiência causal é o poder de iniciar a mudança. Uma mudança (vikāra) pode ocorrer apenas quando há ação. Kāma (luxúria), Krodha (raiva), Lobha (ganância), Moha (apego emocional profundo, estupidez), Mātsarya (inveja) e Madā (orgulho, devassidão) são os vikāras da mente mencionados no Bhagavad Gita.


1.50. As impressões nascidas desta percepção previnem outras tendências compulsivas inerentes de todos os tipos


1.51. Quando mesmo esta percepção e tudo o mais é parado sob o controle do individuo, não há mais nada a controlar, tal estado é chamado estado de equanimidade sem causa Sarva nirodha nir bidhi


SamadhiPada, este primeiro capítulo dos yogasutras de Patanjali encerra aqui após descrever o caminho gradual e seguro ao Samadhi, caminho ético, preparando para o capítulo segundo, chamado Sadhana, versão prática do que foi examinado conceitualmente no primeiro capítulo, indicando o conjunto das práticas envolvidas nesse caminho para o Samadhi.

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